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PVC.
Pensar em ciclo.
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Finstral Magazine F_04
Frame Reframe: 180 página de conversas, reflexões e opiniões sobre temas do mundo da arquitetura.
1. Fabrico
O PVC (policloreto de vinilo) é produzido a partir de duas matérias-primas principais: cloro, obtido a partir do sal, e etileno, que pode provir de matérias-primas fósseis, bioetileno ou da reciclagem química. Estas substâncias reagem formando monómeros de cloreto de vinilo (VCM), que, por sua vez, são polimerizados em PVC. A produção de uma tonelada de PVC a partir de matérias-primas fósseis gera 1,9–2,6 toneladas de CO2, dependendo da fonte de energia e dos produtos primários utilizados. Além de eletricidade, é necessária energia térmica, sobretudo nos processos de cracking e na secagem.

2. Oportunidades
Durabilidade: o PVC é particularmente durável, o que é um critério essencial de sustentabilidade.
Reciclagem mecânica: os resíduos de PVC são triturados, limpos e transformados em granulado ou pó, sem alterar a estrutura química. O processo é energeticamente eficiente, económico, mantém a qualidade do material e é ideal para PVC puro, proveniente dos desperdícios da produção ou de janelas velhas. Misturas de materiais, resíduos antigos, matérias estranhas e plastificantes dificultam significativamente a reciclagem.
Reciclagem química: o PVC é decomposto quimicamente nos seus elementos básicos, produzindo matérias-primas (p. ex., etileno) com a mesma qualidade das fontes primárias. Os desafios deste método de alta intensidade energética incluem a separação do elevado teor de cloro e as limitações regulamentares na utilização dos materiais reciclados (ver princípio do balanço de massa).
Bioetileno: a alternativa sustentável ao etileno fóssil – quimicamente idêntico, obtido a partir de óleo de colza ou resíduos como gorduras utilizadas para fritar. O PVC produzido com bioetileno reduz a pegada de CO2 em mais de 60%.
Desfossilização: a utilização de matérias-primas biológicas, como bioetileno de resíduos orgânicos ou carbono proveniente de tecnologias de captura de carbono (Carbon Capture), oferece uma alternativa sustentável às fontes fósseis de carbono. Assim, o PVC poderá atuar como um reservatório de CO2 no futuro.
CO2 como matéria-prima (Carbon Capture and Utilization, CCU): em vez de recorrer, como até agora, ao petróleo, o CO2 – proveniente de emissões industriais ou diretamente da atmosfera – também poderá servir como fonte de carbono no futuro. Através de vários processos de transformações químicas, pode produzir-se etileno, o principal produto primário para o PVC. A longo prazo, o PVC poderá tornar-se, assim, neutro em carbono ou até positivo em termos climáticos.
Princípio do balanço de massa: este método permite misturar matérias-primas de qualidade idêntica, mas de origens diferentes (fóssil, biológica, reciclada), bem como contabilizar a sua proporção no produto final, mas sem a comprovar fisicamente. No setor energético, este princípio permite injetar eletricidade verde na rede geral. Para matérias-primas da indústria química, como o etileno, a aprovação do método do balanço de massa seria uma verdadeira revolução. No entanto, atualmente, a utilização de etileno segundo o princípio do balanço de massa na produção de PVC ainda não é regulamentarmente permitida.

3. Desafios
Dificuldades técnicas da reciclagem: um ciclo mecânico fechado só é possível sem downcycling se o material permanecer puro. A coextrusão – mistura de materiais de PVC de qualidade elevada e inferior – complica a reciclagem. Os resíduos antigos, como chumbo estabilizante, são problemáticos. Embora a indústria europeia de PVC tenha abandonado o uso de compostos de chumbo desde 2015, produtos mais antigos ou janelas novas com materiais reciclados de aros antigos ainda podem conter chumbo, tornando a reciclagem mais cara e, nalguns caso, até impossível.
Custos elevados: o bioetileno é até três vezes mais caro do que o etileno fóssil.
Incertezas regulamentares: o reconhecimento inconsistente do método do balanço de massa dificulta a implementação de estratégias de reciclagem. A UE tem vindo a discutir diversos modelos que exigem uma certificação ISCC+ ou REDcert para declarar a percentagem de materiais reciclados nos produtos. Além disso, há dúvidas se a reciclagem química pode ser contabilizada integralmente nas taxas de reciclagem.
Foco nas taxas de reciclagem, em vez de na redução de CO2: a legislação concentra-se nas taxas fixas de reciclagem. Um sistema baseado na pegada de carbono poderia incentivar abordagens inovadoras e tecnológicas com vista à redução de CO2.
Fonte de energia como fator-chave na redução de CO2: a produção de PVC implica um grande consumo energético. A eletrólise do cloro, por si só, consome 2,5–3,5 MWh por tonelada. As energias renováveis são, portanto, essenciais.
Emissões indiretas: além das emissões diretas, p. ex., através da eletrólise do cloro, são geradas emissões de CO2 adicionais resultantes do consumo de energia de processamento, do transporte e da utilização de adjuvantes.

4. Cenário ideal em 2050
Contabilização uniforme de CO2 dentro da UE: as decisões sobre os materiais deixam de ser baseadas nas taxas de reciclagem e passam a ser baseadas na pegada climática real.
Ciclo de reciclagem fechado: a reciclagem mecânica e a química complementam-se de forma ideal, permitindo que resíduos de PVC puro regressem, sem perda de qualidade, ao ciclo de produção através da reciclagem mecânica, enquanto todos os restantes resíduos são reaproveitados através da reciclagem química.
Produção descarbonizada: as matérias-primas fósseis são substituídas por bioetileno, tecnologias CCU e pela reciclagem química.
PVC como reservatório de CO2: através da utilização de CO2 da atmosfera na produção de polímeros, o carbono pode ficar ligado ao material a longo prazo. Assim, o PVC poderá, idealmente, até tornar-se positivo em termos climáticos.
Produção energeticamente autossuficiente: a produção de PVC é realizada integralmente com energia renovável. Os processos de alta intensidade energética, como Carbon Capture, tornaram-se economicamente viáveis graças à eletricidade verde barata.
Reciclagem infinita: através da combinação de processos mecânicos e químicos de reciclagem, os produtos de PVC mantêm-se em circulação sem perda de qualidade.
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Quem leva a sério a sustentabilidade deve tratar o material de forma a não gerar resíduos. Isso também se aplica aos fabricantes de janelas. Uma conversa circular com o principal fornecedor da Finstral.
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